18 de setembro de 2018

Testemunho SVE (3ªTemporada): Uma aventura Portuguesa – viagens de barco e matemática!


Note: English version below.

Nós vivemos na margem sul do Rio Tejo – o rio mais longo da Península Ibérica. Para chegarmos a Lisboa temos duas opções – apanhar o autocarro ou o barco.
Quando digo à minha família e amigos na Polónia que apanho o barco para ir a Lisboa ficam todos muito curiosos. Por isso gosto de lhes enviar fotografias engraçadas de mim  a fingir ser um marinheiro forte a usar os meus músculos para controlar o barco. A verdade é que é um barco de dois andares, com bastante espaço, e sentes mais que estás num “táxi aquático” do que propriamente um imigrante à espera de ver terra.
Outro facto interessante sobre os transportes públicos aqui é estimar a hora de chegada dos autocarros a uma determinada paragem. É preciso ser muito bom em matemática e ter um pensamento lógico bem desenvolvido para o conseguir. No início limitava-me a seguir os outros voluntários, nem tentava aprender esta arte de “adivinhar” os horários do autocarro. Quando apanhas o autocarro na estação inicial tudo é mais fácil, mas torna-se mais complicado quando precisas de apanhar o autocarro numa paragem a meio do percurso. Precisas de saber quanto tempo mais ou menos o autocarro leva do ponto A ao ponto B e a partir daí calcular a hora de chegada do autocarro à paragem que pretendes. É sempre um mistério e é com alguma impaciência que aguardamos para descobrir se conseguimos acertar ou não. Já nos aconteceu as duas coisas – acertar e falhar redondamente.
Em Portugal temos de levar as coisas com calma, relaxar e aproveitar o bom tempo enquanto esperamos pelo autocarro ou pelo barco. Podemos beber um café, conversar com pessoas locais – o mais provável é partilharem a mesma frustração que nós e essa partilha acaba por nos fazer sentir mais próximos!



A Portuguese Adventure - Traveling by boat and mathematics

We are living on the other side of the Tagus river – the longest river of the Iberian Peninsula.
To get to Lisbon we have two options of travelling – going by bus or by boat (here: barco).
When I tell my family and friends in Poland about my boat travel to Lisbon they are usually very curious how it looks like. Then I enjoy sharing a funny picture with them – me as an immigrant sailing the boat like a strongman, using all the muscles of the hands. In reality it is a two-storey ship with much space and you rather feel like on a board of a waterbus than as a real immigrant waiting till shore of land appears.
                Another interesting feature about travelling here by public transport is estimating time of bus arrival to a particular bus stop. You need to be very good in mathematics and logical thinking as well. At the beginning I was following others, not interested in learning ability of “guessing” an hour when the bus comes J The easiest is when you travel from the first bus stop – it is obvious while checking time in the schedule. It is becoming more complicated as you want to get on the bus somewhere in the middle of the way from one town to another. You need to know more and less how long the bus is going from A to B point and relying on this information you can calculate the estimated time of arrival. It’s always kind of mystery and impatience if we have managed to estimate time properly or not. It happens both that we succeed in this matter and fail it.
                In Portugal just take it easy, relax, enjoy weather and while waiting for a bus or a boat drink coffee and talk to stranger on the street – he probably feels the same as you and sharing the same experience can get you closer to each other!~

Karolina Piérog

1 de setembro de 2018

Testemunho SVE (3ªTemporada): Uma aventura Portuguesa – a língua


Olá!

O meu nome é Karolina e sou uma voluntária polaca a viver no Montijo.
Gostava de partilhar alguns dos meus pensamentos e experiências, às vezes engraçadas, enquanto estou em Portugal a fazer voluntariado. Escolhi o nome “Aventuras Portuguesas” para estas partilhas porque acho que esta experiência de trabalho e a viajar é uma grande aventura, durante a qual tudo pode acontecer e podemos ser surpreendidos de diferentes maneiras J Hoje vou falar da língua portuguesa.

Este é o segundo mês que eu e os meus colegas voluntários (Polónia, Itália e França) estamos a viver em Portugal – tempo suficiente para aprender e perceber algumas palavras básicas em português, mas não o suficiente para nos sentirmos confiantes a falar esta nova língua.


Uma das primeiras características que identico quando oiço português é um som “ch” que se parece um pouco com o som polaco “sz” ou “ż”, mas ainda assim acho que é uma língua muito exótica, principalmente algumas letras como o “ç”. Sei falar espanhol, e isso têm-me ajudado a sobreviver J Na verdade tem sido muito útil porque as pessoas normalmente percebem o que digo uma vez que muitas palavras portuguesas são parecidas ao espanhol, por exemplo casa (espanhol: casa), quero (espanhol: quiero), etc. A pronúncia, contudo, muitas vezes é bastante diferente do espanhol, mas as pessoas são muito pacientes e esforçam-se para nos perceber J
Temos aulas de português com uma das nossas mentoras – que tem português como a sua língua materna – e com ela estamos a aprender a gramática e toda a parte mais teórica da língua portuguesa. No entanto, a parte melhor de aprender uma língua no seu país de origem é o facto de a podermos absorver a todo o momento, pois estamos em contacto com ela em todo o lado – lojas, restaurantes, cafés, autocarros, cartazes, etc. É entusiasmante vivenciar uma língua assim. Não tenho necessidade de repetir palavras portuguesas em casa, como teria de fazer normalmente quando aprendo uma nova língua e não tenho oportunidades para praticar. Aqui posso absorver tudo ao vivo – cumprimentando as pessoas, a pedir um café, a ouvir conversas de pessoas locais e aprendendo muito com as crianças e os diferentes profissionais com quem trabalhamos. Nem temos noção de tudo aquilo que podemos aprender quando vivemos num contexto rico em situações de aprendizagem espontâneas até o experienciarmos. Bom dia, boa tarde, obrigada, carro, devagar, correr, segundo prato – estas são apenas algumas expressões que aparecem regularmente no meu dia a dia aqui.

Como amante de café que sou também precisava de aprender mas sobre os diferentes tipos de café e os seus nomes para os poder pedir quando estou na rua. Café (é um expresso), abatanado, galão (com leite) – de entre todas as hipóteses eu escolhia sempre um destes três, nem sempre com sucesso... Quando tentei pedir um café grande recebi um café com leite, ou um expresso (o mais comum aqui). Uma vez, em vez de pedir galão enganei-me e pedi bacalhau!
Apesar destes pequenos erros cómicos estou muito feliz por interagir com as pessoas, no geral a sua atitude é sempre muito positiva e querem muito ensinar-me (tive de ouvir muitas vezes a palavra “abatanado” até conseguir decorar).
Uma outra motivação para aprender a língua portuguesa é o Kizomba, uma dança originária de Angola (antiga colónia portuguesa) cujas músicas têm a letra em português. Adoro dança e espero brevemente poder aprender a dançar ainda melhor J Mas disso falaremos mais da próxima vez!

Karolina Piérog

SVE - Terceira Temporada

O novo grupo de voluntários ao abrigo do programa de voluntariado ERASMUS+ chegou a Portugal bem a tempo do verão. 
Desta vez, recebemos 4 voluntários de 3 países diferentes que, durante 6 meses irão desenvolver atividades de animação nos concelhos de Montijo e Alcochete. 
Michele e Fabiana (Itália), Karolina (Polónia) e Alan (França) contarão com o apoio de jovens voluntários locais que facilitarão a sua integração no nosso país. 
Mais novidades em breve!

14 de março de 2018

Testemunho SVE: Os encontros em Guimarães e Viseu



Uma das oportunidade que o Serviço de Voluntariado Europeu coloca à disposição dos voluntários, é um encontro com os outros voluntários provenientes de outros países europeus que estão a fazer projetos semelhantes no país onde o voluntário se encontra.
Existem dois encontros: um no princípio e um a meio da experiência.

Infelizmente o meu primeiro treino em Guimarães foi um desastre total.
As atividades pareciam-me inúteis e não gostei do grupo. A parte positiva é que agora estou ciente que a responsabilidade foi minha, porque não fui para lá com a atitude certa.

Agora percebo que nem sequer dei uma oportunidade, para que as coisas pudessem correr bem. Basei-me só na minha primeira impressão. Passei o tempo escondida, com uma parede (invisivel) à frente da minha cara,  onde só me conseguia ver a mim mesma em frente a um espelho. E o que eu via não era agradável...

O segundo encontro, em Viseu, foi por isso para mim uma agradável surpresa.
Cheguei lá com uma disposição de alma melhor, disposta a tentar, a não me deixar subjugar pelas circunstâncias.

Eu sei que quando são situações organizadas, com programas predefinidas, não é fácil para mim. Mas agora sei também que tenho que enfrentar  as situações e os meus medos. Tenho que me deixar ir. Então disse a mim mesma: “Ok, vamos ver se desta vez as coisas correm melhor…”.
E assim foi.
Encontrei pessoas maravilhosas, com as quais espero de colaborar no futuro. Pessoas muito inteligentes e com um coração lindo.
Falámos sobre o nosso passado e o nosso futuro, falámos de educação não formal, de projetos teatrais e de caracter documentarista.
Eu não ser se acredito em coincidências, mas às vezes gosto de o fazer, sem pensar demasiado sobre isso.
Voltei de Viseu com as ideias mais claras, e com a vontade de as pôr em prática. Agora vejo uma potencial direcção, um trilho para a minha vida. E quero estudar e trabalhar cada dia para alcançar os meus objectivos. Mas lembro-me também do que disse Rita Levi-Montalcini, uma das mais importantes cientista italiana:

Qualquer decisão que tomares para o teu futuro, és autorizada, e eu diria até encorajado, a submetê-la a um teste contínuo, disposta a mudá-la, se deixar de corresponder aos teus desejos.   

Em conclusão, realmente espero que no futuro se possam criar sinergias com as pessoas que encontrei neste encontro, porque uma coisa que realmente sinto falta durante esta experiência, é a possibilidade de compartilhar a projetos sérios e intenções, desenvolver sinergias e colaborações com frutos. E não é isso uma das finalidades deste Serviço de Voluntariado Europeu? Criar contactos, abrir portas? Em nós mesmos e no mundo que nos rodeia?

Mila

22 de fevereiro de 2018

Testemunhos SVE: Reflectir a meio do percurso

Aprender a relaxar. Aproveitar o tempo, tirar um momento cada dia para sair da sua cabeça. Deixar de acumular pensamentos, problemas, possíveis soluções. Aprender a fechar as gavetas que não precisamos mais. A fechá-las pelo menos por algum tempo. Para abrir as portas e as janelas do quarto. Mudar de ares, aprender a respirar, a deixar entrar a luz.


Aprender a meditar, talvez. A não pensar em nada. Para deixar cair o lixo, a ferrugem. Afogar a mente. Olhar mais longe, a linha do horizonte.

Olhar para o espaço no fundo do oceano.


Aprender a respirar, soprar fora a ansiedade e a mania do controlo.
Não ter medo de perder o controlo, e de se soltar.
Dar o primeiro passo, atravessar a porta.                  


Não ter medo de perguntar, de falar com estranhos; nao ter medo de parecer ridícula, de experimentar coisas novas.
Não ter sempre medo de cair.
Aprender a deixar-se ficar assim. Parar de roer as unhas.
Olhar para cima para ver um precipício e não ter medo.
Sentir-se completa  sem se fechar sobre si mesma.
Parar de ver as horas e o telemóvel.
Talvez, só ser.
Para uns momentos.
Não ter medo das pessoas que nos rodeiam, nem das pessoas que ficam dentro de nós.
Sentir os momentos.
Aprender a sentir o sentimento de libertação.
Como se fosse o ar insufla as asas da gaivota, e  a apoia.
Aprender a sentir o sentimento de vontade.
Aprender a utilizar este ar para voar.



Mila

[Terceira Fevereiro 2018]

28 de janeiro de 2018

Testemunhos SVE: Lisboa e a Música

Antes de ter iniciado esta experiência nunca tinha visitado Portuga, e morar a apenas 30 km deLisboa pareceu-me logo uma oportunidade a não desperdiçar!

Mas a minha sorte não acabava aí.. é que a minha coordinadora, Filipa, é sobrinha do baterista dos Xutos e Pontapés, uma banda de nrock com uma história de longa duração. “São como os Rolling Stones portugueses”, disse-me um dos estudantes com quem falei durante uma das nossas aulas nas Escolas Secundárias.


Assim uma das minhas primeiras experiências em Lisboa foi um grande concerto dos Xutos e Pontapés no Coliseu de Lisboa...Emocionante!


Mas a estrela desta noite para mim foi a avó de Filipa, uma senhora com uma energia extraordinária!

Para ficar no âmbito musical, não poderia faltar uma noite de fado.
O nome fado chega da palavra latina fatum [= destino] porque a música é inspirada no típico sentimento português da saudade. As canções do fado falam sobre a emigração, a separação, o sofrimento e o afastamento.

Como quase todas as músicas populares, nasceu nos lugares da pequena delinquência urbana, tal como o samba, o tango e a canção napolitana.
Tambem neste caso posso dizer que eu tive sorte. Durante o meu primeiro dia a passear sozinha para Lisboa - depois muitas subidas e descidas, algumas no típico eléctrico 28, algumas a pé; depois de me perder entre as pequenas ruas da Alfama; depois de muito andar ao lado do rio Tejo, desde a Cais do Sodré até a Praça do Comércio e mais além - cheguei em um ótimo bar no Bairro Alto.

Os preços eram muito baratos e as pessoas que trabalhavam alì muito simpáticas e acolhedoras. Uma cerveja fresca era mesmo o que faltava!
Foi assim que encontrei o Pedro, a Soraya e a Mafalda e me fui embora com a promessa de  os reencontrar mais tarde para uma noite de fado num dos restaurantes mais populares e menos turísticos.

Assim, algumas semanas depois, eu e Mari fomos ao restaurante Dom Leitão, onde encontrámos uma alegria esmagadora. Leitão assado, vinho tinto e fado tradicional..
O que poderia querer mais?



Naturalmente Lisboa e arredores têm muitas coisas mais a descobrir, mas não temos pressa, certo?

Testemunhos SVE: Escolas Secundárias


Uma das nossas atividades como voluntárias consiste em dinamizar algumas aulas de inglês nas Escolas Secundárias de Montijo e Alcochete.

Antes da primeira aula que dinamizámos decidimos fazer um plano para nos ajudar a saber o que fazer.

Foi difícil, por que não sabíamos como organizar o tempo disponível, nem quais as atividades mais úteis ou interessantes para uma turma de adolescentes.

Decidimos começar com uma rápida apresentação em inglês, para isso pedimos aos jovens que encostassem as mesas e as cadeiras à parede e fizessem um círculo no centro da sala.

Depois fomos passando uma pequena bola, quem a recebesse tinha que dizer o seu nome, uma coisa que gostasse e uma que não gostasse.

Depois para nos energizar fizemos um jogo com música.




Cada jovem recebe uma folha de papel onde desenha uma moldura e escreve o seu nome. De seguida dobram o papel.

Quando a música começa têm que trocar os papéis dobrados o maior número de vezes possível.

Quando a música têm que desenhar uma parte da cara da pessoa cujo nome está em cima do papel que têm na mão.

Repetimos o mesmo processo quatro vezes (cara e cabelos, olhos, nariz e boca) e com movimentos diferentes no momento da troca.




No final cada estudante recebe o seu retrato e pode colá-lo na parede junto a um pequeno envelope. A ideia é criar pequenas caixas de correio onde os alunos possam deixar mensagens uns para os outros.

Nós deixamos as primeiras mensagens: pequenas frases em italiano traduzidas para português e inglês.

Depois colamos na parede algumas imagens de diferentes coisas e pessoas.

Os estudantes, divididos em equipas, têm de adivinhar as que são ou não italianas. Aproveitamos esta ocasião para partilhar um pouco sobre Itália e deixar algumas sugestões para o futuro..

Para aprender mais sobre o Portugal, dividimos a turma em quatro equipas e atribuímos um tema diferente a cada uma: cidades, comidas, música e tradições. Cada equipe tem dez minutos para pensar sobre o seu tema e escrever coisas típicas de Portugal para nos apresentar e recomendar (em inglês).



Quando temos menos tempo pedimos simplesmente aos jovens que nos aconselhem alguns lugares a visitar em Portugal.

No final, para falar um pouco sobre o projecto de Serviço de Voluntariado Europeu e a nossa Associação Mundo Inseparável, colamos na parede um mapa do Portugal e um da Europa. Depois damos a cada pessoa dois post-it de cores diferentes onde eles têm que escrever os seus nomes. Os alunos devem por o post it verde num país que já visitaram e que gostaram muito, e o rosa num país que gostariam visitar.
Os jovens têm depois oportunidade de partilhar com o resto da turma as suas motivações.

Para concluir, explicamos como funciona um projeto SVE e como isso pode ser uma boa oportunidade para viajar e encontrar pessoas com culturas diferentes, para aprender a fazer coisas novas e para compreender melhor o nosso futuro.

Se no início fazer tudo isto parecia muito difícil, agora, cada vez se torna mais fácil pois vamos ficando mais confortantes. Talvez seja altura de mudar o plano!