7 de outubro de 2018

Tertemunho SVE (3ªTemporada): Impressões intermédias


Note: English version below

“Normalmente as ideias não me surgem quando me sento a escrever, mas sim quando estou a viver”.

Decidi utilizar esta frase de Anais Nin para tentar organizar as emoções e sentimentos que senti durante os primeiros 3 meses em Portugal e porque acredito que muitas vezes é numa folha branca de papel que nos podemos confrontar com os nossos pensamentos mais profundos. Quando escrevemos temos a oportunidade de ser honestos e seria uma parvoíce não aproveitar este momento de pura transparência.

Assim, tenho de confessar que as minhas primeiras impressões da minha estadia no Montijo foram tudo menos positivas...

Cheguei num dia tórrido no final de Junho, que  na verdade aos meus olhos me fazia lembrar um cenário do Silent Hill ou do Resident Evil – um calor imenso, não se via ninguém na rua, só faltavam mesmo os fardos de palha no meio da rua.

A ideia de ter de esperar duas semanas até chegarem os restantes voluntários e começar efectivamente a trabalhar não era muito atractiva, e se a isso acrescentarmos a dificuldade que era decifrar os horários dos transportes para chegar a Lisboa, ou junto to mar, a coisas não estava nada positiva.

No entanto, como normalmente acontece em momentos “trágicos”, foram as pequenas coisas, os detalhes, que gradualmente foram tornando tudo mais agradável: a bondade do staff da associação, os encontros com as crianças do Roda Livre, a descoberta progressiva do bairro e da cidade, as viagens mais frequentes a Lisboa, os fins de semana a praia, a chegada dos meus colegas.

Aos poucos familiarizei-me com o ambiente à minha volta e fui ganhando o carinho das crianças e do bairro, que na verdade me adoptou.

Acho que até agora, enquanto equipa temos feito um bom trabalho, primeiro estabelecendo uma boa relação com a comunidade envolvente e entre nós, trabalhamos juntos e apoiamo-nos mutuamente, apesar das diferenças culturais e comportamentais que nos diferenciam, mas que nunca devem ser factor de exclusão.

É assim que retrato a situação passados 3 meses, com o passado atrás das costas e com um olhar sereno e optimista focado no futuro.

Michele

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"My ideas don't usually come to my desk while I'm writing, but while I'm living”.

I borrowed this phrase from Anais Nin to try to sort out the emotions and feelings that I felt during these first three months in Montijo and because I believe that often stripping them bare on a blank sheet allows you to confront the deepest and most submerged part of yourself.

At least when you write something personal I think you need to be honest, because it is one of the few moments when we are accountable exclusively to ourselves and it would be really stupid to deprive ourselves of this fleeting moment of pure transparency.

I must therefore admit that the first impressions of my stay in Montijo were anything but positive.

Arriving on a torrid Saturday at the end of June, in fact, what had appeared to my eyes reminded me sinisterly of a level of Silent Hill or Resident Evil: all hermetically tight, not a person around, were missing only bales of hay in the middle of the road.

The prospect of having to wait until late July for the other volunteers to arrive and start working was not very attractive, if we add the difficulty in understanding the timetables of public transport to reach the sea or Lisbon the picture was certainly not positive.

As often happens, however, in situations that seem to be "tragic", it was the small things, the details, that gradually made the picture more pleasant: the kindness and helpfulness of the staff, the meeting with the children of Roda and the progressive discovery of the neighbourhood and the town, the increasingly frequent trips to Lisbon, the relaxing weekends at sea, the arrival of my colleagues.

In a slow but constant way, therefore, I became familiar with the environment and little by little I won the affection of the children and the neighbourhood in general, which in fact adopted me.

I think that so far as a team we have done a good job, first of all establishing a good relationship with the surrounding environment and between us, working and supporting each other despite all the cultural and behavioural differences that distinguish us, but that should never be grounds for exclusion.

This is my portrait of the situation three months later, with an eye behind my back and an optimistic and serene look to the future.

Michele


20 de setembro de 2018

Testemunho SVE (3ªTemporada): Aventuras Portuguesas – Age como um local

Note: English version below


Hoje, a todos os viajantes e estrangeiros a caminho de Portugal recomendo – comportem-se como locais e sentir-se-ão como locais – isso vai ajudar a quebrar o gelo com os nativos portugueses e ultrapassar as barreiras culturais. Claro, sem nunca deixarmos de ser nós próprios e representarmos a nossa cultura. De seguida podem encontrar algumas dicas de como fazê-lo:

     1)  Quando passares por alguém na rua é bom dizer “olá” e perguntar “tudo bem?”. Se é alguém que conheces, ou se te apresentarem a uma pessoa nova podes cumprimentá-la com dois beijos na bochecha – é como fazem os portugueses.

      2) Fala português tanto quanto puderes! Para comunicares com os portugueses não tens de falar fluentemente. Deixa o orgulho e a vergonha de lado e pede o bilhete de autocarro em português. O motorista irá provavelmente sorrir e ajudar-te, e com sorte ainda recebes alguns conselhos de sítios a visitar J

      3) Vai para a rua. Pode parecer estranho, mas se o tempo estiver bom (e normalmente está) porque não ir para a rua em vez de ficar fechado em casa? Os portugueses gostam de aproveitar as esplanadas para beber um café, almoçar ou jantar. Para além disso, principalmente durante o verão, existem várias festas na rua – “festas populares” – que acontecem em diferentes cidades. Lá podes ouvir música ao vivo, ver largadas de touros, provar produtos locais, beber vinho e comprar lembranças para amigos e família.

     4) Sorri! É uma forma universal de nos aproximarmos de alguém sem truques, e normalmente funciona (um sorriso traz outro sorriso). Especialmente quando és novo numa comunidade e as pessoas não sabem o que pensas delas sorrir pode ser essencial para deixar uma boa primeira impressão J




Portuguese adventure – be like a local

        Today, for all the travelers and foreigners coming to Portugal, I recommend to feel like a local and behave like the local – it will help to break the ice between you and the native Portuguese and cross the cultural barer. Of course being yourself and representing your culture is important most of all J  Below you can find some simple tips:

 1) When you meet somebody on the street it’s good to say hello and ask how are you “tudo bem”?
 If you know somebody or you are introduced to a new person you can give two kisses on the cheeks – it is how the Portuguese do.

2) Speak Portuguese as much as you can! Your level of language doesn’t have to be perfect to communicate smoothly. Leave your embarrassment and pride and buy a ticket for bus in Portuguese. The driver will probably smile and help you, maybe even give you some good tips for your travel
J

3) Go to the street. This clue can sound strange but if the weather is nice (usually it is) why don’t you go out instead of sitting in your room? Portuguese people enjoy sitting on the terraces of bars and restaurants, having coffee, lunch or dinner. Also, especially during summer, you can take part in various local street parties, “festas” which take place in different towns. There you can listen to live music, watch the bulls on the streets, taste local products, drink a wine and buy some souvenirs for your friends and family.

4) Smile! It’s an international way to get closer without any special tricks and it usually works (smile provokes smile). Especially when you are new in the community and people don’t know your attitude towards them it can be more than helpful in leaving a good first impression J


Karolina Piérog


18 de setembro de 2018

Testemunho SVE (3ªTemporada): Uma aventura Portuguesa – viagens de barco e matemática!


Note: English version below.

Nós vivemos na margem sul do Rio Tejo – o rio mais longo da Península Ibérica. Para chegarmos a Lisboa temos duas opções – apanhar o autocarro ou o barco.
Quando digo à minha família e amigos na Polónia que apanho o barco para ir a Lisboa ficam todos muito curiosos. Por isso gosto de lhes enviar fotografias engraçadas de mim  a fingir ser um marinheiro forte a usar os meus músculos para controlar o barco. A verdade é que é um barco de dois andares, com bastante espaço, e sentes mais que estás num “táxi aquático” do que propriamente um imigrante à espera de ver terra.
Outro facto interessante sobre os transportes públicos aqui é estimar a hora de chegada dos autocarros a uma determinada paragem. É preciso ser muito bom em matemática e ter um pensamento lógico bem desenvolvido para o conseguir. No início limitava-me a seguir os outros voluntários, nem tentava aprender esta arte de “adivinhar” os horários do autocarro. Quando apanhas o autocarro na estação inicial tudo é mais fácil, mas torna-se mais complicado quando precisas de apanhar o autocarro numa paragem a meio do percurso. Precisas de saber quanto tempo mais ou menos o autocarro leva do ponto A ao ponto B e a partir daí calcular a hora de chegada do autocarro à paragem que pretendes. É sempre um mistério e é com alguma impaciência que aguardamos para descobrir se conseguimos acertar ou não. Já nos aconteceu as duas coisas – acertar e falhar redondamente.
Em Portugal temos de levar as coisas com calma, relaxar e aproveitar o bom tempo enquanto esperamos pelo autocarro ou pelo barco. Podemos beber um café, conversar com pessoas locais – o mais provável é partilharem a mesma frustração que nós e essa partilha acaba por nos fazer sentir mais próximos!



A Portuguese Adventure - Traveling by boat and mathematics

We are living on the other side of the Tagus river – the longest river of the Iberian Peninsula.
To get to Lisbon we have two options of travelling – going by bus or by boat (here: barco).
When I tell my family and friends in Poland about my boat travel to Lisbon they are usually very curious how it looks like. Then I enjoy sharing a funny picture with them – me as an immigrant sailing the boat like a strongman, using all the muscles of the hands. In reality it is a two-storey ship with much space and you rather feel like on a board of a waterbus than as a real immigrant waiting till shore of land appears.
                Another interesting feature about travelling here by public transport is estimating time of bus arrival to a particular bus stop. You need to be very good in mathematics and logical thinking as well. At the beginning I was following others, not interested in learning ability of “guessing” an hour when the bus comes J The easiest is when you travel from the first bus stop – it is obvious while checking time in the schedule. It is becoming more complicated as you want to get on the bus somewhere in the middle of the way from one town to another. You need to know more and less how long the bus is going from A to B point and relying on this information you can calculate the estimated time of arrival. It’s always kind of mystery and impatience if we have managed to estimate time properly or not. It happens both that we succeed in this matter and fail it.
                In Portugal just take it easy, relax, enjoy weather and while waiting for a bus or a boat drink coffee and talk to stranger on the street – he probably feels the same as you and sharing the same experience can get you closer to each other!~

Karolina Piérog

1 de setembro de 2018

Testemunho SVE (3ªTemporada): Uma aventura Portuguesa – a língua


Olá!

O meu nome é Karolina e sou uma voluntária polaca a viver no Montijo.
Gostava de partilhar alguns dos meus pensamentos e experiências, às vezes engraçadas, enquanto estou em Portugal a fazer voluntariado. Escolhi o nome “Aventuras Portuguesas” para estas partilhas porque acho que esta experiência de trabalho e a viajar é uma grande aventura, durante a qual tudo pode acontecer e podemos ser surpreendidos de diferentes maneiras J Hoje vou falar da língua portuguesa.

Este é o segundo mês que eu e os meus colegas voluntários (Polónia, Itália e França) estamos a viver em Portugal – tempo suficiente para aprender e perceber algumas palavras básicas em português, mas não o suficiente para nos sentirmos confiantes a falar esta nova língua.


Uma das primeiras características que identico quando oiço português é um som “ch” que se parece um pouco com o som polaco “sz” ou “ż”, mas ainda assim acho que é uma língua muito exótica, principalmente algumas letras como o “ç”. Sei falar espanhol, e isso têm-me ajudado a sobreviver J Na verdade tem sido muito útil porque as pessoas normalmente percebem o que digo uma vez que muitas palavras portuguesas são parecidas ao espanhol, por exemplo casa (espanhol: casa), quero (espanhol: quiero), etc. A pronúncia, contudo, muitas vezes é bastante diferente do espanhol, mas as pessoas são muito pacientes e esforçam-se para nos perceber J
Temos aulas de português com uma das nossas mentoras – que tem português como a sua língua materna – e com ela estamos a aprender a gramática e toda a parte mais teórica da língua portuguesa. No entanto, a parte melhor de aprender uma língua no seu país de origem é o facto de a podermos absorver a todo o momento, pois estamos em contacto com ela em todo o lado – lojas, restaurantes, cafés, autocarros, cartazes, etc. É entusiasmante vivenciar uma língua assim. Não tenho necessidade de repetir palavras portuguesas em casa, como teria de fazer normalmente quando aprendo uma nova língua e não tenho oportunidades para praticar. Aqui posso absorver tudo ao vivo – cumprimentando as pessoas, a pedir um café, a ouvir conversas de pessoas locais e aprendendo muito com as crianças e os diferentes profissionais com quem trabalhamos. Nem temos noção de tudo aquilo que podemos aprender quando vivemos num contexto rico em situações de aprendizagem espontâneas até o experienciarmos. Bom dia, boa tarde, obrigada, carro, devagar, correr, segundo prato – estas são apenas algumas expressões que aparecem regularmente no meu dia a dia aqui.

Como amante de café que sou também precisava de aprender mas sobre os diferentes tipos de café e os seus nomes para os poder pedir quando estou na rua. Café (é um expresso), abatanado, galão (com leite) – de entre todas as hipóteses eu escolhia sempre um destes três, nem sempre com sucesso... Quando tentei pedir um café grande recebi um café com leite, ou um expresso (o mais comum aqui). Uma vez, em vez de pedir galão enganei-me e pedi bacalhau!
Apesar destes pequenos erros cómicos estou muito feliz por interagir com as pessoas, no geral a sua atitude é sempre muito positiva e querem muito ensinar-me (tive de ouvir muitas vezes a palavra “abatanado” até conseguir decorar).
Uma outra motivação para aprender a língua portuguesa é o Kizomba, uma dança originária de Angola (antiga colónia portuguesa) cujas músicas têm a letra em português. Adoro dança e espero brevemente poder aprender a dançar ainda melhor J Mas disso falaremos mais da próxima vez!

Karolina Piérog

SVE - Terceira Temporada

O novo grupo de voluntários ao abrigo do programa de voluntariado ERASMUS+ chegou a Portugal bem a tempo do verão. 
Desta vez, recebemos 4 voluntários de 3 países diferentes que, durante 6 meses irão desenvolver atividades de animação nos concelhos de Montijo e Alcochete. 
Michele e Fabiana (Itália), Karolina (Polónia) e Alan (França) contarão com o apoio de jovens voluntários locais que facilitarão a sua integração no nosso país. 
Mais novidades em breve!

14 de março de 2018

Testemunho SVE: Os encontros em Guimarães e Viseu



Uma das oportunidade que o Serviço de Voluntariado Europeu coloca à disposição dos voluntários, é um encontro com os outros voluntários provenientes de outros países europeus que estão a fazer projetos semelhantes no país onde o voluntário se encontra.
Existem dois encontros: um no princípio e um a meio da experiência.

Infelizmente o meu primeiro treino em Guimarães foi um desastre total.
As atividades pareciam-me inúteis e não gostei do grupo. A parte positiva é que agora estou ciente que a responsabilidade foi minha, porque não fui para lá com a atitude certa.

Agora percebo que nem sequer dei uma oportunidade, para que as coisas pudessem correr bem. Basei-me só na minha primeira impressão. Passei o tempo escondida, com uma parede (invisivel) à frente da minha cara,  onde só me conseguia ver a mim mesma em frente a um espelho. E o que eu via não era agradável...

O segundo encontro, em Viseu, foi por isso para mim uma agradável surpresa.
Cheguei lá com uma disposição de alma melhor, disposta a tentar, a não me deixar subjugar pelas circunstâncias.

Eu sei que quando são situações organizadas, com programas predefinidas, não é fácil para mim. Mas agora sei também que tenho que enfrentar  as situações e os meus medos. Tenho que me deixar ir. Então disse a mim mesma: “Ok, vamos ver se desta vez as coisas correm melhor…”.
E assim foi.
Encontrei pessoas maravilhosas, com as quais espero de colaborar no futuro. Pessoas muito inteligentes e com um coração lindo.
Falámos sobre o nosso passado e o nosso futuro, falámos de educação não formal, de projetos teatrais e de caracter documentarista.
Eu não ser se acredito em coincidências, mas às vezes gosto de o fazer, sem pensar demasiado sobre isso.
Voltei de Viseu com as ideias mais claras, e com a vontade de as pôr em prática. Agora vejo uma potencial direcção, um trilho para a minha vida. E quero estudar e trabalhar cada dia para alcançar os meus objectivos. Mas lembro-me também do que disse Rita Levi-Montalcini, uma das mais importantes cientista italiana:

Qualquer decisão que tomares para o teu futuro, és autorizada, e eu diria até encorajado, a submetê-la a um teste contínuo, disposta a mudá-la, se deixar de corresponder aos teus desejos.   

Em conclusão, realmente espero que no futuro se possam criar sinergias com as pessoas que encontrei neste encontro, porque uma coisa que realmente sinto falta durante esta experiência, é a possibilidade de compartilhar a projetos sérios e intenções, desenvolver sinergias e colaborações com frutos. E não é isso uma das finalidades deste Serviço de Voluntariado Europeu? Criar contactos, abrir portas? Em nós mesmos e no mundo que nos rodeia?

Mila

22 de fevereiro de 2018

Testemunhos SVE: Reflectir a meio do percurso

Aprender a relaxar. Aproveitar o tempo, tirar um momento cada dia para sair da sua cabeça. Deixar de acumular pensamentos, problemas, possíveis soluções. Aprender a fechar as gavetas que não precisamos mais. A fechá-las pelo menos por algum tempo. Para abrir as portas e as janelas do quarto. Mudar de ares, aprender a respirar, a deixar entrar a luz.


Aprender a meditar, talvez. A não pensar em nada. Para deixar cair o lixo, a ferrugem. Afogar a mente. Olhar mais longe, a linha do horizonte.

Olhar para o espaço no fundo do oceano.


Aprender a respirar, soprar fora a ansiedade e a mania do controlo.
Não ter medo de perder o controlo, e de se soltar.
Dar o primeiro passo, atravessar a porta.                  


Não ter medo de perguntar, de falar com estranhos; nao ter medo de parecer ridícula, de experimentar coisas novas.
Não ter sempre medo de cair.
Aprender a deixar-se ficar assim. Parar de roer as unhas.
Olhar para cima para ver um precipício e não ter medo.
Sentir-se completa  sem se fechar sobre si mesma.
Parar de ver as horas e o telemóvel.
Talvez, só ser.
Para uns momentos.
Não ter medo das pessoas que nos rodeiam, nem das pessoas que ficam dentro de nós.
Sentir os momentos.
Aprender a sentir o sentimento de libertação.
Como se fosse o ar insufla as asas da gaivota, e  a apoia.
Aprender a sentir o sentimento de vontade.
Aprender a utilizar este ar para voar.



Mila

[Terceira Fevereiro 2018]